Os sentimentos podem mudar sem desaparecer.
Uma relação não precisa de terminar emocionalmente no mesmo momento em que termina na prática.
Depois de um afastamento podem continuar a existir sentimentos, mas já não exatamente da mesma forma. Pode continuar a existir amor, mas acompanhado de mágoa. Saudade, mas também ressentimento. Atração, mas pouca confiança. Uma ligação emocional forte e, ao mesmo tempo, medo de voltar a viver aquilo que correu mal.
Quando alguém pergunta “ele ainda sente alguma coisa por mim?”, não interessa apenas saber se a resposta é sim ou não. Interessa perceber o que é esse sentimento hoje.
Saudade não é necessariamente vontade de voltar.
Alguém pode ter saudades tuas e não querer retomar a relação. Pode recordar os momentos bons, sentir a tua ausência e continuar emocionalmente ligado ao que viveram, sem que isso signifique que esteja preparado para regressar.
Da mesma forma, uma pessoa pode pensar frequentemente em ti sem estar a planear contactar-te.
É por isso que saber apenas “ele tem saudades?” pode deixar-te exatamente no mesmo lugar. A questão seguinte é: o que faz ele com aquilo que sente?
O silêncio também pode esconder sentimentos contraditórios.
Pode querer aproximar-se e, ao mesmo tempo, ter medo. Pode sentir a tua falta e continuar magoado. Pode desejar contacto e travar-se por orgulho. Pode gostar de ti e acreditar que a relação não funcionaria.
Pode até existir sentimento e, ainda assim, uma decisão consciente de manter distância.
Estas contradições são precisamente aquilo que muitas vezes torna um afastamento tão difícil de compreender. Procuramos uma resposta linear numa situação que emocionalmente pode não ser linear.
Então o que podemos perceber numa leitura?
Numa consulta de Tarot podemos olhar para o estado emocional da ligação naquele momento: perceber se ainda existem sentimentos, como esses sentimentos se apresentam, aquilo que mudou desde o afastamento e o que está a pesar emocionalmente entre vocês.
Podemos também distinguir saudade de intenção, perceber se existe mágoa, medo ou resistência e analisar se aquilo que ele sente tem alguma tendência para se transformar em aproximação.
Não se trata apenas de descobrir se sente. Trata-se de perceber como sente e o que isso representa para a ligação.
“Se sente, porque não me procura?”
Esta é provavelmente a parte mais difícil. As atitudes importam. Muito. Mas os sentimentos humanos nem sempre produzem comportamentos coerentes.
Há quem evite aquilo que sente. Quem tenha dificuldade em assumir vulnerabilidade. Quem fique preso ao orgulho ou ao medo. Quem não saiba resolver um conflito. E há também quem simplesmente não esteja disposto a construir aquilo que tu precisas, apesar de existir algum sentimento.
Compreender emocionalmente alguém não significa justificar indefinidamente aquilo que essa pessoa faz.
O perigo de descobrires que ele ainda sente.
Imagina que uma leitura mostra que sim, ainda existem sentimentos. É muito fácil essa resposta transformar-se imediatamente em: “Então tenho de esperar.”
Mas uma coisa não significa necessariamente a outra. Saber que alguém ainda sente pode esclarecer aquilo que estava confuso. Não deve tornar-se uma razão para ficares indefinidamente presa a uma pessoa que não toma nenhuma atitude.
Por isso, existe uma pergunta tão importante como “o que sente por mim?”: O que é que ele está disposto a fazer em relação ao que sente?